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Revista Paraense de Medicina

versão impressa ISSN 0101-5907

Rev. Para. Med. v.20 n.4 Belém dez. 2006

 

EDITORIAL

 

Estudo transversal e/ou longitudinal

 

"Não há solidão onde há saber, nem aborrecimento quando se tem livros"
(Da sabedoria oriental)

 

 

Alípio Augusto Bordalo

Editor responsável da Revista Paraense de Medicina da FSCMP. Da Associação Brasileira de Editores Científicos ABEC

 

 

Pela revisão da maioria dos trabalhos bio-médicos encaminhados para a Revista Paraense de Medicina RPM da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará, se vê o desconhecimento em diferenciar um estudo ou pesquisa de natureza transversal e longitudinal.

Cabe, então, aos editores e revisores deste periódico, corrigir e orientar. É, algumas vezes, missão árdua e difícil.

Revendo a literatura, se constatou que os autores de metodologia epidemiológica abordam melhor o assunto.

Há diversos tipos de pesquisa, como sejam, descritiva, experimental, documental e bibliográfica, partindo sempre da – observação - , conforme preconizava Francis Bacon (1561-1626).

Sob o aspecto epidemiológico, a pesquisa ou estudo se classifica em transversal ou seccional e longitudinal ou horizontal.

A pesquisa transversal pode ser de incidência e prevalência. A 1a investiga determinada doença em grupos de casos novos. É dinâmica, pois oscila ao decorrer do tempo e em diferentes espaços. A de prevalência estuda casos antigos e novos de uma nosologia num determinado local e tempo; é estática e, essencialmente, transversal. ROUQUAYROL, 1994, assim define a pesquisa transversal: é o estudo epidemiológico no qual fator e efeito são observados num mesmo momento histórico e, atualmente, tem sido o mais empregado.

A pesquisa longitudinal ou horizontal se classifica em retrospectiva e prospectiva. Na retrospectiva estudam-se casos e controles. FUCHS, 1995, assevera que: compara-se um grupo de pessoas que apresenta uma determinada doença (casos) com outro grupo de indivíduos que não possui a doença (controles), em relação à exposição prévia a um fator em estudo. LILIENFELD, 1976, (apud Rouquayrol), diz: os estudos de caso/controle são retroanalíticos e partem de grupos de casos seguramente diagnosticados e retroagem em sua história, buscando por fatores passados que possam ser considerados como causais. A pesquisa prospectiva é conhecida como – estudo de coortes -. STEDMAN, 1996, assim conceitua o que seja coorte: grupo populacional definido e seguido, prospectivamente, em um estudo epidemiológico. Decerto, é uma assertiva clara e objetiva. O protótipo desse estudo é quando se analisa a exposição às gastroenterites de 2 grupos, como sejam: o grupo exposto (que bebe água de poço) e o grupo não-exposto (que não bebe água de poço), em local definido e durante o tempo x. Objetiva-se, então, determinar a freqüência de indivíduos que beberam água de poço e o índice de infectados. É uma pesquisa comparativa e direta.

Assim sendo, se conclui que no estudo longitudinal retrospectivo se conhece o efeito e se busca a causa, e no prospectivo há a causa ou fator determinante e se procura o resultado.

Isso constitui o objetivo da epidemiologia analítica.

 

Belém, dezembro/2006