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Epidemiologia e Serviços de Saúde
ISSN 1679-4974 versão impressa

 


Epidemiol. Serv. Saúde v.13 n.3 Brasília set. 2004

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Como citar este artigo

EDITORIAL

 

O Sinan e o resgate da informação para a vigilância epidemiológica

 

 

Expedito J. A. Luna

Diretor do Departamento de Vigilância Epidemiológica/SVS/MS

 

Ao aceitar o convite da editoria desta Epidemiologia e Serviços de Saúde, pareceu-me necessário e importante destacar o artigo que abre este novo número da revista,1 que trata do Sistema de Informação de Agravos de Notificação, o Sinan. Em primeiro lugar, considero oportuno louvar a iniciativa e a coragem dos autores, todos eles ex ou atuais companheiros de trabalho envolvidos com a gerência deste sistema de informação, ao tomarem como tema de reflexão o seu próprio objeto de trabalho.

O sistema de informações é um componente essencial do processo de trabalho em vigilância epidemiológica e controle de doenças. Ao trazerem aos leitores da revista sua análise crítica da história do Sinan, apontando suas principais limitações e o processo em curso de superação delas, os autores fornecem elementos a todos aqueles que de alguma forma estão envolvidos neste campo de práticas de saúde pública no país, para conhecerem um pouco mais sobre a trajetória deste sistema e a engajarem-se no processo de seu aprimoramento.

Considero pertinente explorar algumas hipóteses acerca das razões que explicariam os problemas enfrentados pelo Sinan, algumas explicitamente abordadas pelos autores, outras apenas sugeridas. A primeira delas diz respeito à pouca importância conferida à vigilância epidemiológica e ao controle de doenças transmissíveis na primeira década de implantação do Sistema Único de Saúde, o SUS. Talvez em decorrência da teoria da transição epidemiológica, o raciocínio fosse: por que investir em um sistema de informações voltado a agravos que estariam fadados a desaparecer? Uma segunda questão, que se explicita no texto, refere-se à valoração da informação na nossa subcultura institucional e dos profissionais de saúde. O preenchimento dos instrumentos de coleta de dados é visto, pela maioria dos profissionais de saúde no país, enquanto “burocracia”, uma parte menos nobre e importante do seu processo de trabalho. Essa visão não é exclusiva dos profissionais da ponta; os gestores do sistema de saúde também tendem a reproduzi-la, conforme constatação dos autores de que “as coordenações, na área de gerência de informações, nos diversos níveis de gestão do sistema de saúde, ainda apresentam um grau de desenvolvimento inadequado às suas necessidades e responsabilidades”.

Longe de uma postura conformista, o artigo relata o esforço que vem sendo realizado para a superação das limitações do Sinan, esforço esse que faz parte de um movimento mais amplo, de resgate da importância da vigilância epidemiológica e controle de doenças no SUS.

Este número da revista também traz aos leitores a importante contribuição de Campanário & Maia2 à análise das informações de mortalidade; o estudo de Ferreira e colaboradores sobre uma das questões cruciais referentes ao programa de controle da tuberculose, o abandono do tratamento;3 e ainda o artigo de Rezende e colaboradores acerca da avaliação de efetividade dos tratamentos espaciais com inseticidas para controle vetorial.4

 

Referências bibliográficas

1. Laguardia J, Domingues CMA, Carvalho C, Lauerman CR, Macário E, Glatt R. Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan): desafios no desenvolvimento de um sistema de informação em saúde. Epidemiologia e Serviços de Saúde 2004;13(3): 135-146.

2. Campanário P, Maia PB. Metodologia de correção e ajuste da mortalidade com tábuas-modelo de vida atualizadas para o Brasil. Epidemiologia e Serviços de Saúde 2004;13(3): 147-174.

3. Ferreira SMB, Silva AMC, Botelho C. Tratamento da tuberculose pulmonar em Cuiabá, Mato Grosso, Brasil (1998-2000): distribuição espacial. Epidemiologia e Serviços de Saúde 2004;13(3): 175-184.

4. Rezende MC, Falero GC, Macoris MLG, Andriguetti MTM, Takaru L. Instruções para bioensaios para avaliação de aplicações espaciais de inseticidas. Epidemiologia e Serviços de Saúde 2004;13(3): 185-190.

 

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