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vol.18 no.2A construção da Base Nacional de Dados em Terapia Renal Substitutiva (TRS) centrada no indivíduo: relacionamento dos registros de óbitos pelo subsistema de Autorização de Procedimentos de Alta Complexidade (Apac/SIA/SUS) e pelo Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) - Brasil, 2000-2004  ?dice de autores?dice de assuntospesquisa de artigos
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Epidemiologia e Serviços de Saúde
ISSN 1679-4974 versão impressa

 


Epidemiol. Serv. Saúde v.18 n.2 Brasília jun. 2009

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Como citar este artigo

EDITORIAL

 

Áreas de aplicação da epidemiologia nos serviços de saúde

 

 

Maria Regina Fernandes de Oliveira

Editora Executiva

 

 

Distingue-se e aceita-se, desde a década de 1980, ao menos quatro grandes áreas de aplicação e uso da epidemiologia nos serviços de saúde: 1) vigilância em Saúde Pública (ou epidemiológica); 2) análise da situação de saúde; 3) identificação de perfis e fatores de risco; e 4) avaliação epidemiológica de serviços.1 Desenvolver a epidemiologia nos serviços de saúde, um dos objetivos deste periódico científico, significa, primeiramente, organizar estratégias para que os profissionais apliquem os diversos métodos epidemiológicos nessas quatro grandes áreas, contribuindo também para o desenvolvimento da saúde coletiva. Esta segunda edição da Epidemiologia e Serviços de Saúde no ano de 2009 traz oito artigos originais e uma nota técnica, caracterizados, essencialmente, pela informação científica produzida nos serviços e para os serviços de saúde.

Os dois primeiros artigos enfocam o uso do Subsistema de Autorização de Procedimentos de Alta Complexidade (Apac), integrante do Sistema de Informações Ambulatoriais (SIA/SUS). O Apac, embora seja um sistema administrativo, apresenta riqueza de dados epidemiológicos, especialmente para determinadas situações clínicas, permitindo análises epidemiológicas e conhecimento de alguns perfis. Queiroz e colaboradores2 descrevem, com detalhes, o procedimento de relacionamento probabilístico entre os dados do subsistema Apac e do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), para o aperfeiçoamento da base de dados nacional sobre a terapia renal substitutiva (TRS). Seu artigo demonstra a possibilidade de relacionar bases de dados administrativas e epidemiológicas de modo a potencializar o uso dos dados na oportuna e adequada informação para a gestão dos serviços; no caso de seu estudo, especificamente, na informação sobre mortalidade em indivíduos que fazem uso de TRS. Moura e colaboradores,3 por sua vez, descrevem o Apac-TRS e avaliam seu potencial para a vigilância da doença renal crônica terminal no Brasil. A análise dos dados da Apac-TRS evidencia a magnitude de pacientes em TRS cujos diagnósticos de base são as causas incertas de insuficiência renal terminal, além da distribuição dos casos por regiões geográficas, sexo e idade. Os autores recomendam o uso do susbsistema Apac-TRS para subsidiar ações dos serviços de saúde dirigidos aos pacientes com doença renal crônica, além de outras recomendações voltadas para o aperfeiçoamento do próprio subsistema como ferramenta essencial da vigilância.

Três artigos descrevem, analisam ou avaliam serviços de saúde sob enfoques diferentes. Veras e Viana,4 utilizando-se de método avaliativo normativo, estudaram o desempenho de Municípios paraibanos, segundo características de organização da atenção básica, um tema pouco estudado no Estado da Paraíba. Os resultados apontam para a grande necessidade de aperfeiçoamento da atenção básica nos Municípios, assim como para a perspectiva de estudos avaliativos de outras dimensões não cobertas pelo método adotado. Kemp e colaboradores5 relatam experiência do Município de Campinas-SP, em que os serviços privados de saúde foram envolvidos na vigilância e notificação da síndrome febril exantemática, elevando a notificação dos casos. A experiência, importante exemplo de organização de serviços de vigilância, também deixa evidente que potencializar a vigilância pelos serviços privados de saúde exige ações contínuas e sistemáticas, que realmente produzam os resultados esperados em termos de notificação. Vital e colaboradores6 avaliaram laboratórios de Saúde Pública que são referência para dengue, febre amarela e febre maculosa, a partir da visão de seus profissionais sobre o desenvolvimento da ciência e tecnologia no âmbito dessas instituições. Os resultados dessa pesquisa mostram o potencial dos laboratórios de Saúde Pública para a execução de pesquisas científicas, todavia incipiente, e indicam caminhos para esse desenvolvimento.

Este número da revista oferece, ainda, três estudos epidemiológicos que servem de subsídio ao planejamento de ações dos serviços de saúde: Albuquerque e colaboradores7 analisaram o índice de massa corporal (IMC) em pacientes com infecção pelo HIV/aids e com tuberculose-doença no Estado de Pernambuco, demonstrando a associação dessa co-infecção com IMC baixo quando comparados esses pacientes com os infectados pelo HIV/aids e sem tuberculose. Barbas e colaboradores8 estudaram os determinantes do peso insuficiente e do baixo peso ao nascer no Município do Rio de Janeiro-RJ, gerando informação relevante para as ações de promoção da saúde da mulher e da criança; e Duarte e Donalísio9 avaliaram os eventos adversos após vacinação contra influenza em população institucionalizada no Município de Campinas-SP, confirmando a baixa 'reatogenicidade' da vacina em idosos e a necessidade da notificação dos eventos adversos aos serviços de saúde, bem como da desmistificação do risco da vacina.

Completando esta edição, uma nota técnica de Rezende10 descreve o encontro de larvas de anofelinos em recipientes artificiais no Estado do Espírito Santo, área não-endêmica para malária. Embora não relevante do ponto de vista epidemiológico, o achado e sua divulgação servem de alerta aos serviços de saúde do SUS para a necessidade de constante vigilância entomológica, de modo a monitorar possíveis mudanças nos perfis de transmissão de doenças vetoriais.

Como essa nota técnica, os demais artigos aqui apresentados atendem aos campos da aplicação da epidemiologia nos serviços de saúde, especialmente quanto à vigilância epidemiológica, descrição de perfis epidemiológicos e avaliação de serviços de saúde, traduzindo a importância da epidemiologia no aprimoramento da informação para a gestão.

 

 

Referências

1. Waldman EA. Usos da vigilância e da monitorização em Saúde Pública. Informe Epidemiológico do SUS. 1998; 7(3):7-26.

2. Queiroz OV, Guerra Junior AA, Machado CJ, Andrade ELG, Meira Junior W, Acúrcio FA, Santos Filho W, Cherchiglia ML. A construção da Base Nacional de Dados em Terapia Renal Substitutiva (TRS) centrada no indivíduo: relacionamento dos registros de óbitos pelo subsistema de Autorização de Procedimentos de Alta Complexidade (Apac/SIA/SUS) e pelo Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) – Brasil, 2000-2004. Epidemiologia e Serviços de Saúde 2009; 18(2):107-120.

3. Moura L, Schmidt MI, Duncan BB, Rosa, RS, Malta DC, Stevens A, Thomé FS. Monitoramento da doença renal crônica terminal pelo subsistema de Autorização de Procedimentos de Alta Complexidade – Apac – no Brasil, 2000 a 2006. Epidemiologia e Serviços de Saúde 2009; 18(2):121-131.

4. Veras CLSM, Vianna RPT. Desempenho de Municípios paraibanos segundo avaliação de características da organização da atenção básica 2005. Epidemiologia e Serviços de Saúde 2009; 18(2):133-140.

5. Kemp B, Toscano CM, Barros ENC, Barros FB, Moraes JC, VigiFEx (Grupo de Trabalho). Setor privado de saúde e a vigilância da síndrome febril exantemática: uma experiência municipal. Epidemiologia e Serviços de Saúde 2009; 18(2):141-152.

6. Vital NC, Valladão ML, Haddad JPA, Possas CA, Costa JO. Gestão em ciência e tecnologia: desafio para os laboratórios de Saúde Pública. Epidemiologia e Serviços de Saúde 2009; 18(2):179-187.

7. Albuquerque MDM, Ximenes RAA, Maruza M, Batista JAL, Albuquerque MFPM. Índice de massa corporal em pacientes co-infectados pela tuberculose-HIV em hospital de referência da cidade de Recife, Estado de Pernambuco, Brasil. Epidemiologia e Serviços de Saúde 2009; 18(2):153-160.

8. Barbas DS, Costa AJL, Luiz RR, Kale PL. Determinantes do peso insuficiente e do baixo peso ao nascer na cidade do Rio de Janeiro, Brasil, 2001. Epidemiologia e Serviços de Saúde 2009; 18(2):161-170.

9. Duarte RMR, Donalísio MR. Eventos adversos após vacinação contra influenza em população institucionalizada, Campinas-SP, Brasil, 2004. Epidemiologia e Serviços de Saúde 2009; 18(2):171-178.

10. Resende HR. Registro de larvas de anofelinos (Diptera: Culicidae) em recipientes artificiais na Região Noroeste do Espírito Santo, Brasil. Epidemiologia e Serviços de Saúde 2009; 18(2):189-192.

 

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